Reflexões de um professor

Foi-se já o dia em que conheci meu primeiro professor. Não me lembro quando isto aconteceu, era novo demais para ter lembranças mais claras do que a de um carrossel, um escorregador ou um carrinho de plástico. É verdade, já estou velho.

Na minha infância não foram poucas as histórias sobre meu avô e seu papel como educador na colônia japonesa no interior do São Paulo cafeicultor. Digo, ele e minha avó.

A verdade é que o mundo da educação jamais me foi estranho. Minha esposa também tem relação similar: era a única aluna voluntária de sua falecida tia nas aulas de inglês…das férias.

Ser professor é algo que não se define facilmente. Talvez o professor seja aquele que, mesmo tendo valores e crenças, procure mostrar aos alunos que o importante é que cada um descubra seus valores e crenças. Talvez seja aquele que lhe diga que as coisas não estão tão bem quanto você, aluno eternamente jovem (“imortal”, talvez), pensa. É aquele que complementa o trabalho dos pais (afinal, de onde você acha que vêem os valores e crenças de cada um?).

Tive bons professores e nunca consegui me igualar a eles. Nunca me igualarei. Mas, e daí?

O irônico disto tudo foi que levei uma lembrança a um professor meu e nem me liguei que era o dia do professor. Será que a data já está tão interiorizada em mim? Ou foi só coincidência?

De qualquer forma, talvez seja bom pensar com cuidado no significado das palavras. O que é “professor”? E “mestre”? O significado das coisas, quando bem compreendido, torna a vida menos confusa. Talvez seja isto o que falte hoje em dia. Não é esquecer do dia do professor que incomoda (alguns se incomodam, mas eu não). O que incomoda é a falta de compreensão e reflexão sobre o que é o trabalho e a vida de um professor.

Quer um conselho? Vá à locadora e pegue o filme “Madadayo” de Akira Kurosawa (seu último filme) e o assista. Talvez você aprenda algo novo sobre o tema. Se gostar, depois me conte.

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Um comentário sobre “Reflexões de um professor

  1. Eu acho que cada professor o é à sua maneira, assim como cada ser humano tem sua singularidade e assim pode perceber melhor ou pior, aquele outro que está à frente. Educar envolve percepção para a intervenção, no intuito de contribuir para o desenvolvimento do aluno. Muitas vezes, é como tirar leite de pedra. Mas o processo só se completa se o aluno for receptivo… se ele também está pronto para encarar o aprendizado. Quantos só percebem tempos depois, o que estava sendo ensinado? Para todos os professores, meus sinceros votos de feliz dia do professor!

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