Curry, eu e a vida

O prato mais tradicional da família japonesa é o curry (pronuncia-se, em japonês, karê). Se tem algo que eu conheço desde pequeno é o tal karê. Bem, não conheço há tanto tempo porque até conhecer a Top International Chef Muyumi (vamos chamá-la assim para preservar a identidade de minha esposa), eu não era fã do prato.

Vamos lá, leitor, não me diga que nunca teve uma fruta, uma verdura (ou várias) que você não queria comer quando era criança! Bem, no meu caso, um dos pratos para os quais eu torcia o nariz (e fechava a boca) era o karê. De vez em quando minha mãe cismava de fazer o tal prato e, claro, eu ficava de fora. Os cardápios eram mais ou menos assim:

Toda a família (menos eu): karê

Eu: a) cachorro quente, b) bife com arroz e fritas, c) bolinho de espinafre e arroz, etc.

Passei boa parte da vida fugindo da iguaria até o dia em que Muyumi decidiu me mostrar o seu karê. Não me lembro bem quando foi, mas a revelação ao público de minha mudança quanto ao dito prato veio em um almoço com a família, digo, com os respectivos sogros e sogras. Quando minha mãe me viu encher o prato (e, o que é pior, comer tudo …e repetir), pude sentir o que seria uma fulminante rajada de metralhadora(s).

– Como é??? Você agora come karê!!!!???

Todos puderam notar que minha mãe teve a vontade de voar sobre a mesa e me esganar com todas as suas forças. Talvez umas facadas estivessem em sua mente naquele momento. Ou uma incineração de seu filho, outrora uma exceção que lhe custava algumas horas a mais na cozinha por conta dos pratos exclusivos. Quem disse que mães não ficam furiosas? Eu nunca disse.

Eu ainda me pergunto sobre o porquê de minha mudança. Seria o tempero de Muyumi? Seu preparo da carne? Algo a mais no preparo (o famoso “ingrediente secreto” das receitas)? Ou será que eu teria aprendido a me adaptar à nova gerência da casa? Ou seria tudo isto junto?

Muyumi sempre insiste:

– Eu não sou mandona!

Eu não faço nada além de concordar. Afinal, manda quem pode, obedece quem tem juízo (e quer continuar comendo karê em casa).

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3 comentários sobre “Curry, eu e a vida

  1. bem, vejamos, este sintoma chama-se paixonite aguda extrema. Pudera, primo, Mayumi é linda, meiga, e show de bola, além de tudo, cozinha internacionalmente… (acho que vou propor a ela abrirmos um restaurante)rsssss,

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  2. Kirei na itoko, maravilhosa e poderosa Mailin, diante de quem sou apenas uma reles mortal!!! Aguardamos ansiosamente sua visita, esperamos não te desapontar… rsrsrs! Bjs

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