Carta ao (à) Monitor(a) da matéria

Caro Monitor,

Esta carta é para você, cupincha do professor, que, como ele, pensa que eu tenho que aprender algo neste curso. Como você já deve ter lido a carta ao professor – ele certamente já lhe mostrou minha outra carta – espero que tenha acordado.

Você, que é aluno como a gente, deveria pensar mais nos amigos. Não tem nada demais em irmos todos à festa, enquanto você resolve a lista de exercícios, cara! Deixa de ser estúpido! Só porque o professor é imbecil, você não precisa sê-lo. Claro que você não se divertirá, mas teremos outros churrascos. Quem sabe, até te arrumamos umas “mulheres”, se é que você me entende?

Monitor deveria resolver todos os exercícios para seus camaradas! Por que é que vamos à monitoria? Porque queremos conversar durante a aula! Queremos mandar emails, “tuítar”, postar no Facebook! À noite tem balada e, assim, como é que vamos fingir que estamos estudando para enganar o professor e o coordenador da escola? Só com a ajuda do monitor!

Mas, não! Você tinha que seguir o que ele falou… Quer nos ensinar, diz para gente que ler o livro antes de fazer o exercício é bom, e toda aquela lenga-lenga de nerd. Você é um babaca! Você é um traidor! Você não nos dá o gabarito. Por que? Custa tanto assim para você resolver tudo e nos dar? Nem estamos pedindo explicação!!

Eu não entendo você, monitor. Você diz que quer nos ajudar, mas você não faz nada para a gente. Sua obrigação é fazer tudo para a gente. Ainda mais se a faculdade for privada! Aí, meu caro, você não é nada mais do que um faxineiro para a gente. Pega o boi quando te consideramos amigo (e, mais do que nunca, você nem deveria mesmo ir à festa para ficar em casa fazendo nossas listas)…

Olha, veja se aprende, monitor. Não queremos nada deste negócio de interpretar textos, de aprender regras da redação científica, ou o modo de se resolver qualquer exercício. Queremos, isto sim, que você nos poupe tempo, dando-nos o gabarito. Pouco importa se não aprendemos a fazer ou se não mostramos a você nossas dúvidas para você – supostamente – ensinar algo para a gente. Já falei na outra carta, a do professor, que nós somos muito mais inteligentes do que ele.

Por que é que você insiste em reproduzir este modelo babaca de ensino com a gente? Você é nosso chapa, mas lembre-se que é sua obrigação nos ajudar. Não que a gente precise de ajuda assim, deste jeito. Gente como a gente não pergunta, não faz exercícios porque não faz sentido mostrar aos outros que temos dúvidas. Aliás, eu não tenho dúvida alguma. Meus colegas é que têm vergonha de perguntar na frente das meninas. Queima o filme, sabe? E por que estamos na faculdade? Para pegar mulherada, fazer amigos novos e sugar um pouco de alguns que não são nossos amigos, mas dão-nos “status”.

Para o inferno com esta história de pedagogia e sala de aula, cara! Pesquisa é coisa de gente louca. Deixa isso para o professor, que é, vou repetir, um babaca. Você deveria vir conosco. Tem muita parada rolando que você vai gostar. Alguns até usam uns adicionais, se é que você me entende, bons que ajudam muito com a galera. Você vai pegar muitas gatas – ou gatos, se for monitora.

Assim, não queira nos ensinar, cara. Seja obediente e me traga sempre as soluções prontas. Cumpra seu papel na sociedade que nós mantemos nossa amizade com você.

Feliz Natal

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