Ser Papai Noel é… – Cinco Momentos em que Papai Noel arrancou sorrisos na véspera de Natal

Todo ano, há cinco anos (idade biológica e histórica da minha sobrinha), saio de Papai Noel para ir à sua casa. Fazem lá um lanche ou algo assim, no final da tarde. No ano passado, resolvi que iria com o gorro e a barba branca e com a  janela aberta. Quando desci do carro recém-estacionado, alguém passou buzinando e eu gostei. Pensei então que seria legal continuar criando reações espontâneas – e alegres – nas pessoas. Assim, neste ano, fiz o mesmo. Mas, desta vez, eu comprei uma barba um pouco melhor do que a anterior. Tive alguns momentos muito legais que compartilho com vocês, a seguir.

Momento 1

Seguia eu, com calor, de barba, gorro e com aquele roupão vermelho, alegre e contente com meu trenó de quatro rodas pela avenida quando passei por um carro menor, cheio de gente (acho que eram umas três ou quatro senhoras). Um pouco adiante, o carro me alcançou e o povo todo me ovacionou, buzinando e gritando. Papai Noel, que só dirige sério e olhando para a frente (e para os espelhos), acenou sorridente.

Momento 2

Segundos depois, outra buzina e, quando me viro, uma adolescente em um táxi (ou em um carro particular branco, se é que alguém compra carro branco em uma cidade na qual os táxis, obrigatoriamente, são brancos) estava lá me filmando com o celular dela. A tecnologia tem destas coisas. Não sei se a menina curtiu ou se filmar para mostrar para os amigos é uma forma de curtir o Papai Noel. Bem, os tempos mudaram. Ah, sim, caso eu apareça no YouTube, por favor, avisem-me. ^_^

Intermezzo

Moeda japonesa mágica: manusear com extremo cuidado. Pode aparecer na sua orelha.

Moeda japonesa mágica: manusear com extremo cuidado. Pode aparecer na sua orelha.

Lá na casa da minha sobrinha, o papo foi o mesmo. Ela, por mais um ano, insistiu que não sou o Papai Noel porque o verdadeiro Papai Noel está no Shopping, eu tirei foto com ele, olha aqui, tio Cláudio (eu ia usar hífens, mas fica em itálico mesmo).  Meu irmão até tentou, antes de minha chegada, fazer com que ela fingisse, mas ela insistiu em negar a fantasia.

Mas a fantasia não precisa ser anulada. Pensando nisto, recorri a um truque que havia aprendido no dia anterior, com moedas. Tirei do bolso uma moeda japonesa mais antiga (não sei se ainda circula, mas não é tão antiga assim…) e lhe disse que era uma moeda japonesa mágica. Para me safar de problemas, emendei meu discurso com a observação de que a mesma só funciona no Natal.

Depois, fiz o truque e consegui fazer a moeda sumir da minha mão para reaparecer na orelha dela (ou em minha outra mão, viajando pelo meu corpo).   Não sei se ela acreditou, mas ela pediu que eu repetisse o truque e depois tentou me convencer a fazer outras mágicas, mas de forma bem pouco interessada. Foi um alívio porque eu não saberia fazer mais nada mesmo…

Olha, vou ser sincero com vocês: nada me deixa mais triste do que uma criança sem um mundo fantástico. Papai Noel faz parte disto e um pouco de magia também. Há algo no espírito de Natal que transcende crenças religiosas, não? Ou alguém acha que o sorriso das pessoas – principalmente crianças –  não é algo legal (até emocionante, muitas vezes) de se ver?

A alegria diante dos “poderes mágicos” de uma moeda japonesa misteriosa? Ou diante de um Papai Noel (este ou o do shopping)? O mundo real não existe sem o imaginário (acho que a matemática me fez pensar assim, ou não é o mundo dos números reais um caso particular do mundo dos números complexos, mais simples, pobrezinho e meio tímido até?).

Mas, voltemos aos momentos.

Momento 3

Voltando para casa, na parte final do meu trajeto, deparei-me com um carro no qual havia, claro, uma criança, um menino. Do banco de trás ela me olhava e virava o rosto para frente. Acho que tentava fazer os pais acreditarem no que ele tinha visto (nem eu acreditaria…). Em seguida, virava-se e me olhava, intrigado e estupefato. Eu lhe acenei algumas vezes, mas ele parecia paralisado. Imagino que ele esperava me ver num trenó ou num shopping center.

Momento 4

Após uma nova rodada de banho e roupas, lá fui eu para um percurso mais curto, à noite, no qual, novamente, insisti na janela aberta e no visual natalino. No semáforo, um menino destes que faz um show bem ruinzinho me pediu uns trocados. Pior é que eu havia esvaziado os bolsos (e não dou esmolas mesmo, mas senti o peso da vestimenta vermelha e da barba naqueles segundos). O menino levantou a mão e pediu: toca aqui, Papai Noel! Não deu outra: cumprimentei o menino.

Momento 5

Alguns quarteirões adiante, parei em outro semáforo. Reparei que no carro ao lado um pequeno casal, no banco de trás me olhava. Na verdade, um casal maior, nos bancos dianteiros, também. Havia algo em comum no olhar de todos eles. As pequenas mãos batiam na janela e o pai abriu. Quando vi, duas pequenas cabeças se colocam na janela gritando: Papai Noel, eu vou ganhar presente? E eu? Olhei para o pais com aquela expressão de sabe como é, né? Arrematei com um claro que vocês vão ganhar! 

Conclusão

Quando alcancei a adolescência, passei boa parte dela reclamando de coisas que acreditava e que não teriam existido em minha mente não fosse a mentira dos pais. Hoje vejo que estava errado. Ter acreditado em Papai Noel por um tempo me ajudou a desenvolver um pouco mais meu lado humano. Ou você acha que estes cinco momentos não me deixaram um pouco mais feliz? Foram momentos compartilhados com pessoas que, de uma forma ou de outra, sabem que há algo ali, mais importante, em cada brinquedo, cada aperto de mão, olhar, ou aceno pela janela de um carro.

Talvez a moeda mágica volte no próximo ano, talvez não. Mas eu sei que se ela não voltar, alguém assumirá o meu lugar. Há mágicos profissionais e há papai noel no shopping (por cinquenta reais, atualmente). Todos colocam um pouco de seu coração no que fazem. Uns mais, outros menos. Mas ainda acredito que cumpro uma função importante ali, na criação de momentos esparsos na cabeça de algumas crianças, mas notadamente, nas de menor idade.

Feliz Natal para você(s), leitor(es) e para os seus. Lembrem-se da generosidade e da vontade de tornar a vida dos outros um pouco menos dura e triste. É para isto que Papai Noel aparece na época de Natal: apenas para reforçar uma mensagem mais antiga, que não é monopólio de nenhuma religião (e, provavelmente, está cravejada em nossos genes, como diriam os psicólogos evolucionistas…). Somos seres complexos e maravilhosos. Comemore isto no singular e no plural. Vai fazer bem para você, eu garanto.

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