A pechincha do bastardo

Era a tarde do dia 31 de Janeiro. Geralmente, as lojas no bairro da Liberdade fecham às 17 h e lá estávamos nós, em busca de um presente para minha prima.

De longe avistei a loja dos coreanos emitindo sinais de que iria fechar. Corremos e entramos antes que eles pudessem dizer qualquer palavra. Uma vez lá dentro, iniciamos a longa busca por algo que pudesse ser mais do que uma lembrança (a loja é variada). Com muito custo, achei um daqueles sakês com ouro. Coisa fina, não muito barata, mas, vejam, minha prima merece.

Além disso, eu queria comprar um tubinho de pasta de pimenta coreana e, por uns R$ 8,00 ou R$ 10,00, dado que não havia mais lojas para uma pesquisa, coloquei-o também no cesto.

Chegamos ao caixa e o diálogo travado entre o bastardo pechinchador e o pobre adolescente trabalhador foi mais ou menos assim.

–  Senhor, são R$ XXX,00.

– Ok. Você embrulha para presente?

– Sim, mas aí acrescento mais R$ 1,00.

– Hum, ok, mas a pasta de pimenta não é para presente. Então você pode cobrar “menos um real” e ficamos iguais.

Sorri, com aquela cara de Mona Lisa. O vendedor me olhou meio intrigado. Pude perceber que ele estava em dúvida se eu era: (a) maluco, (b) sacana, (c) metido à besta ou (d) uma combinação não-usual dos três.

Minha esposa resolveu me acompanhar no sorriso e tentou acalmá-lo:

– Ele é sempre assim, brincalhão.

Saímos de lá com o sakê embrulhado, a pasta de pimenta, uma sacola bacana e um calendário muito bonito. Quem diria.

Esta foi a pechincha do bastardo.

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