O dia em que os dinossauros invadiram o shopping

Entretido com o passeio pelo shopping, o pequeno cientista de dois anos e pouco começou a reparar no piso. Foi então que parou, apontou para uma irregularidade na bela pedra de mármore (ou seria granito?) e exclamou em tom de surpresa:

– Tem um buraco no chão!

Fomos lá ver o que era. De fato, havia um pequeno buraco, com uma circunferência não maior que meu dedo indicador e realmente superficial. Claro, nada que não pudesse causar espanto no jovem explorador.

– Quem fez o buraco?

– Por que este buraco está aqui?

Perguntas começaram a surgir ligando o alerta de criança nos pais e tios. Algo deveria ser feito e rápido sob pena de uma enxurrada de perguntas cada vez mais difíceis. Foi assim que a tia teve a ideia:

– Foi uma pedra grande que caiu.

– Uma pedra grande?

– Sim.

– Foi um dinossauro?

– Hum…sim. (reação rápida é essencial nestas horas)

– Ele deixou cair sem querer?

– Sim, sem querer. Ele não sabia que iria cair e causar este estrago todo.

O jovem questionador fez uma pausa e fez sua tradicional cara de intrigado (todo pai já viu uma assim, em algum momento, não raro, embaraçoso…). Você podia ouvir as engrenagens de seu pequeno – mas potente – cérebro funcionando.

Subitamente, ele pegou as duas sacolas com os brinquedos recém-comprados e as deixou caírem no chão. Nascia, ali, um jovem cientista.

(pausa para risadas)

Os pais se assustaram, mas logo todos lhe explicaram – ou tentaram lhe explicar – que somente um objeto muito mais pesado seria capaz de causar aquele (pequeno e, ao mesmo tempo, grande, conforme quem de nós o visse) buraco no piso.

A partir dali foram pelo menos duas horas de caminhada pelo shopping com meu amigo, o jovem pesquisador, literalmente farejando buracos como um insistente pesquisador que busca padrões em milhares de observações. A cada pausa, novamente, a história se repetia: seria o dinossauro um desastrado? Alguém teria visto o ocorrido? Por que aquele outro ali, um arranhão, não era um buraco?

Nem a parada no espaço família para uma breve refeição foi capaz de interromper seu espírito explorador. Entre uma colherada e outra, ele me perguntava sobre o porquê dos buracos no chão. Mais tarde ele chegaria a encontrar um pequeno buraco no rodapé, provavelmente fruto de alguma instalação mal finalizada.

Foi assim que aprendi sobre distraídos dinossauros que saem por aí carregando pedras que deixam cair causando estes pequenos buracos que vemos no chão de alguns shoppings e sobre como a imaginação deve ser livre para formular hipóteses. Desejo que meu jovem amigo siga sonhando com dinossauros, pedras, meteoros, heróis, sempre tentando entender melhor o(s) mundo(s) que o(s) cerca(m). Aliás, eu mesmo já vejo dinossauros por aí…

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