Só aqui, neste blog, o legítimo “Tire A Mão Da Minha Linguiça”

tireamaodaminha_kindleEm Minas, quando você se afasta da capital e, obviamente, aproxima-se do interior é assim: primeiro vem uma cidade que, dizem, é a “cidade da empada”. Aí você anda de carro e começam as placas dos restaurantes (restaurantes? Muitas vezes são barraquinhas disfarçadas de botecos ou botecos disfarçados de restaurantes o que, veja bem, não desmerece em nada o local):

“A legítima empada”.

A seguir, temos algo como:

“Aqui, a verdadeira empada”.

Em seguida:

“Aqui, a verdadeira legítima empada”.

Como não poderia deixar de ser, as placas se sucedem:

“Só aqui: a única empada verdadeira”.

“A empada legítima, verdadeira e deliciosa”.

“Pode esquecer o resto: aqui é que ocê (ocê mesmo) vai encontrá (idem) a verdadeira, legítima e deliciosa empada (patente requerida, uai)”.

Ok, posso ter exagerado um pouco em algumas das placas, mas não é divertido ver como a concorrência incentiva a economia de uma cidade (e todos ganham com isto)?

Não me tome como bairrista, leitor. Não é só em Minas que isto ocorre. Lembro-me de algo assim em Gramado, RS:

“Aqui, a verdadeira sopa no pão”.

Ao lado:

“Não, aqui é que tem a verdadeira sopa no pão, tchê”.

A idéia deve ser universal mesmo. Lamentavelmente, não temos placas como:

“Aqui, o verdadeiro e legítimo prefeito honesto”, “Somente aqui, vereadores que não aprovam pedaladas fiscais”, etc.

Bem, já que eu anunciei, né, aqui está o livro, para Kindle (e você não precisa ter um Kindle, mas basta ter aplicativos de leitura compatíveis) na Amazon.com.br.

Poeminhas popularescos e oportunos

Jogo de Luiz

Gente! cadê Luiz Inácio?
“Foi pra Brasília.
– Gente, fazer em Brasília?
“Plantar inflação.
– Gente, pra que inflação?
“Pra colher votos e juros.
– Gente, pra que votos e juros?
“Pra ganhar eleição,
– Gente, como há ladrão.

Baseado em “Jogo de Varisto”, versão sergipana, in Romero, Silvio (1985) Cantos Populares do Brasil, Itatiaia, p.293, reproduzido a seguir:

Jogo de Varisto

Gente! cadê Varisto?
“Foi pra roça.
– Gente, fazer na roça?
“Plantar mandioca.
– Gente, pra que mandioca?
“Pra dinheiro.
– Gente, pra que dinheiro?
“Pra feitiço,
– Gente, no mundo há disto.

Em homenagem a todos meus amigos nordestinos.

Dia dos Namorados…ficou sem graça

Quando você abre sua caixa de mensagens e vê que uma das mensagens de propaganda que regularmente recebe mudou o “Dia dos Namorados” para “Dia da Sensualidade”, você já começa a se preocupar. Aí vem o início da mensagem.

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Sem falar na continuação.

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Pois é, gente. Nada contra usar uma banca de privada em miniatura no órgão fálico (paternalista, machista, opressor e que as “vadias” adoram) ou comprar produtos para variar um pouco na relação. Nada disso me perturba. Sou um sujeito tranquilo com a diversidade de preferências. O que me deixa triste é que o dia dos namorados não é mais um dia para os namorados comemorarem: virou o dia da sacanagem.

Novamente, nada contra a sacanagem mas poderiam ter criado um dia só para isto (na verdade, criaram: todo dia de eleição é um dia de sacanagem). Ou o dia do sexo. Sei lá. Afinal, a pergunta poderia ser: no dia dos pais, você vai também presentear seu querido papai com um anel peniano? E o que dizer do dia das mães? Um vibrador para ela? Ah sim, no Natal…

Percebe? Sei lá. Acho que o marqueteiro errou na mão. Ou eu sou chato. Ou ambos.

A primeira zoeira (zoação?) da minha vida

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Não me lembro bem como foi que começou a brincadeira, mas minha turma ia fazer aquela foto de final de tudo, aquela que a gente fazia no 3o ano do segundo grau porque, bem, iríamos para a batalha do vestibular e provavelmente jamais iríamos nos ver novamente.

Assim, eu disse que iria vestido de terno para a escola, para a foto. Saí de casa trajado a rigor e, à pé, subi o morro até o colégio (literalmente: o colégio fica no alto de um morro). Lá chegando, fizemos a foto. Até hoje há quem pense que a professora de inglês que aparece lá é aluna e que eu sou o professor.

Por que eu resolvi falar disto? Bem, porque sempre que começo a imaginar que eu era um sujeito mais sério, compenetrado e normal, eu me deparo com estes pequenos episódios no meu passado e sou obrigado a reconsiderar esta visão benevolente que tenho de mim mesmo. Outro motivo é que, recentemente, a tecnologia do whatsapp colocou-me em contato com pessoas que mal conheço e algumas que passaram por mim ao redor desta época (da foto). Amigos antigos e colegas antigos.

Naquele tempo a gente fazia prova em papel cheirando a álcool do mimeógrafo. ^_^

O mendigo que vendia cadeiras

Fui almoçar no Aquários, um restaurante popular de Pelotas. Tem lá um bife com ovo que é uma iguaria única na cidade. Mas o local não é apenas conhecido pelo a la minuta. Há também este aspecto democrático: você vê mendigos entrando para usar o banheiro e também aposentados de alguma posse por lá.

Foi então que notei um mendigo sentado na mesa à minha frente. Ah sim, mendigo branco, para quem gosta de fiscalizar o grau de melanina na pele alheia (não curto isto). Estava lá, quieto, na dele, em uma mesa de duas cadeiras. De repente, um senhor mais bem vestido, com um belo chapéu, pegou a cadeira vazia que sobrava na mesa do mendigo. Antes de sair, virou-se e deu umas moedas para o mendigo.

Era um senhor negro.

Logo mais, um terceiro, que se dirigia ao banheiro, passou pelo mendigo e comentou:

“- Tu estás a vender cadeiras agora, velho”?

São momentos assim que fazem o almoço da gente único, não?

Manifestações Democráticas, Camisas e Cantadas

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Estive lá. Dia de sol, muita gente na praça…dia de manifestação. Aí chegou o amigo com uma camisa estampada, cheia de frases e uma igual, na mão esquerda.

– Fiz várias destas! Fez o maior sucesso! Mas sobrou esta aqui. Agora, vocês me desculpem, mas não serve em vocês não: é tamanho feminino.

Dito isto, desapareceu na multidão.

Ainda me pergunto se não é a melhor cantada que já vi (e também se ele voltou para casa de mãos abanando, digo, com a camisa extra na mão esquerda e a direita na cintura de alguém).