…e o livro voltou à Amazon (só para Kindle)

Eu não contei a vocês, né? Mas é verdade. O livro voltou e você pode comprá-lo até na Amazon brasileira. Tá muito barato nestes dias. Não vou dizer o preço de vergonha. Dá uma olhada no link.

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Dia dos Namorados…ficou sem graça

Quando você abre sua caixa de mensagens e vê que uma das mensagens de propaganda que regularmente recebe mudou o “Dia dos Namorados” para “Dia da Sensualidade”, você já começa a se preocupar. Aí vem o início da mensagem.

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Sem falar na continuação.

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Pois é, gente. Nada contra usar uma banca de privada em miniatura no órgão fálico (paternalista, machista, opressor e que as “vadias” adoram) ou comprar produtos para variar um pouco na relação. Nada disso me perturba. Sou um sujeito tranquilo com a diversidade de preferências. O que me deixa triste é que o dia dos namorados não é mais um dia para os namorados comemorarem: virou o dia da sacanagem.

Novamente, nada contra a sacanagem mas poderiam ter criado um dia só para isto (na verdade, criaram: todo dia de eleição é um dia de sacanagem). Ou o dia do sexo. Sei lá. Afinal, a pergunta poderia ser: no dia dos pais, você vai também presentear seu querido papai com um anel peniano? E o que dizer do dia das mães? Um vibrador para ela? Ah sim, no Natal…

Percebe? Sei lá. Acho que o marqueteiro errou na mão. Ou eu sou chato. Ou ambos.

A primeira zoeira (zoação?) da minha vida

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Não me lembro bem como foi que começou a brincadeira, mas minha turma ia fazer aquela foto de final de tudo, aquela que a gente fazia no 3o ano do segundo grau porque, bem, iríamos para a batalha do vestibular e provavelmente jamais iríamos nos ver novamente.

Assim, eu disse que iria vestido de terno para a escola, para a foto. Saí de casa trajado a rigor e, à pé, subi o morro até o colégio (literalmente: o colégio fica no alto de um morro). Lá chegando, fizemos a foto. Até hoje há quem pense que a professora de inglês que aparece lá é aluna e que eu sou o professor.

Por que eu resolvi falar disto? Bem, porque sempre que começo a imaginar que eu era um sujeito mais sério, compenetrado e normal, eu me deparo com estes pequenos episódios no meu passado e sou obrigado a reconsiderar esta visão benevolente que tenho de mim mesmo. Outro motivo é que, recentemente, a tecnologia do whatsapp colocou-me em contato com pessoas que mal conheço e algumas que passaram por mim ao redor desta época (da foto). Amigos antigos e colegas antigos.

Naquele tempo a gente fazia prova em papel cheirando a álcool do mimeógrafo. ^_^

O mendigo que vendia cadeiras

Fui almoçar no Aquários, um restaurante popular de Pelotas. Tem lá um bife com ovo que é uma iguaria única na cidade. Mas o local não é apenas conhecido pelo a la minuta. Há também este aspecto democrático: você vê mendigos entrando para usar o banheiro e também aposentados de alguma posse por lá.

Foi então que notei um mendigo sentado na mesa à minha frente. Ah sim, mendigo branco, para quem gosta de fiscalizar o grau de melanina na pele alheia (não curto isto). Estava lá, quieto, na dele, em uma mesa de duas cadeiras. De repente, um senhor mais bem vestido, com um belo chapéu, pegou a cadeira vazia que sobrava na mesa do mendigo. Antes de sair, virou-se e deu umas moedas para o mendigo.

Era um senhor negro.

Logo mais, um terceiro, que se dirigia ao banheiro, passou pelo mendigo e comentou:

“- Tu estás a vender cadeiras agora, velho”?

São momentos assim que fazem o almoço da gente único, não?

Manifestações Democráticas, Camisas e Cantadas

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Estive lá. Dia de sol, muita gente na praça…dia de manifestação. Aí chegou o amigo com uma camisa estampada, cheia de frases e uma igual, na mão esquerda.

– Fiz várias destas! Fez o maior sucesso! Mas sobrou esta aqui. Agora, vocês me desculpem, mas não serve em vocês não: é tamanho feminino.

Dito isto, desapareceu na multidão.

Ainda me pergunto se não é a melhor cantada que já vi (e também se ele voltou para casa de mãos abanando, digo, com a camisa extra na mão esquerda e a direita na cintura de alguém).

Festa de aniversariantes do mês na autorizada da assistência técnica da minha geladeira

Eu imagino como deve ser a festa nesta autorizada. Deve ser algo assim. O chefe dispara uma mensagem avisando que o Departamento de Pessoal resolveu fazer uma festa mensal para os aniversariamentes do mês. Para garantir o sucesso, usarão o mesmo método de trabalho que usam com seus clientes (gente como eu, por exemplo).

Aí o Zé está lá trabalhando e recebe um telefonema em que lhe avisam que, no dia da festa, a partir das nove e meia da manhã, ele será avisado se vai mesmo haver festa ou não e, claro, esta pode começar às nove (não, eu não errei ao escrever a frase, é isso mesmo).

Ciente disto, o Zé manda uma mensagem para o João, seu colega. João diz que talvez vá, mas que vai ligar antes avisando. Maria, ao ouvir a conversa dos dois colegas, manda uma mensagem dizendo que é para todos avisarem ao Zé do horário definitivo da festa.

Aí o Zé chega em casa mais cedo, janta, fala com a esposa que talvez haja uma festa no dia seguinte. Toma um banho e dorme. Na manhã seguinte, acorda e, antes de se trocar ,confere sua caixa de mensagens. Lá estão:

Euzébio: devo ir, mas só se chegar a peça.

Maria: chego de manhã, mas não posso dizer o horário porque muita coisa pode acontecer.

João: estarei sem dúvida às dez, gente, mas se atrasar eu aviso.

Maicon: a festa é depois de amanhã mesmo? Posso avisar o pessoal da cantina?

Júlia: peço que registrem que vou amanhã à festa, só não posso dizer a que horas.

Marley: pessoal, estou aqui, mas não vi ninguém. A festa acabou?

Olha, é triste ser cliente de uma empresa tão famosa que tenha uma assistência técnica com autorizadas tão bizarras. Mas assim é a vida com a Elec…(complete).

“Serial Killers”: Os números seriais dos demônios econométricos na terra do sol

Um grande problema aflige a segurança internacional. Não, não é o tráfico de crianças de países pobres para países ricos por meio de adoção legalmente reconhecida. Também não é a insistência das pessoas honestas em acabar com a fonte de renda extra dos políticos. Não, meu caro leitor. Trata-se dos terríveis números seriais dos programas econométricos.

Em vários departamentos de economia do mundo inteiro ocorre o mesmo problema: alunos compram programas como o Matlab ou o Eviews e professores e estudantes inescrupulosos tentam obter os números seriais (famosos serial numbers) de maneira ilegal. Há relatos de alunos que foram dopados em sessões de sanduíches durante seminários de tese para depois acordarem na banheira, cobertos de gelo, sem seus números seriais legalmente adquiridos. Os relatos variam, mas todos comungam da mesma trama central: o roubo dos ditos números.

O crime, tal como a burrice alheia, é disseminado pelo planeta. Indicadores mundiais mostram que o Brasil é o país com melhores condições de ganhar a copa da corrupção (lembre-se que Felipão não é mais o técnico querido da CBF e Joaquim Barbosa é apenas um “negro de alma branca”). Nos anos 80, os crimes não ocorriam tanto porque era fácil conseguir uma cópia do TSP (vovô do Eviews) sem muito esforço. Contudo, com a abertura neoliberal que permitiu a cada xenófobo digitar e publicar seus textos contra a globalização, a disseminação dos crimes contra o patrimônio econométrico dispararam.

Alguns leitores – que preferem, compreensivelmente, permanecer na segurança do anonimato – relatam que até discos com cópias dos microdados do Censo e da PNAD são vendidos em esquinas desertas e sombrias nos grandes centros brasileiros. É verdade que a demanda não é lá muito grande, mas todos concordam que é qualificada. Claro, é importante ter em mente que há padrões regionais. Em Campinas, em certos bairros do Rio de Janeiro e na região da Pampulha (Belo Horizonte), a demanda é baixa porque, sabe como é, “a economia não é só matemática e a econometria é apenas um capricho neoliberal” para alguns supostos estudiosos (sigo a metodologia da Folha de São Paulo, ok?).

Mas antes que eu me perca, eis o mais recente relato, enviado a este escriba por um estudante de pós-graduação do nordeste brasileiro. Para preservação dos nomes – mas também para não cansar nosso fiel leitor – vamos criar pseudônimos. Assim, os nomes que se seguem são absolutamente diferentes dos nomes dos envolvidos e qualquer semelhança é mera coincidência (e, como diriam meus advogados, o que não for coincidência é causado por um transtorno psicótico que nunca me impediria de galgar altos postos em partidos políticos ou na Petrobrás).

Este relato é tão sério e espantoso que merece, penso eu, divulgação imediata. Portanto, vamos a ele.

Paraíba, João Pessoa, 06 de fevereiro de 2015, 13:28. Em uma sala algo isolada e deserta de certo departamento de economia, um aluno, cujo pseudônimo é Lucas, declara ter – não sem demonstrar certo orgulho – comprado licenças individuais de Matlab e Ox(metrics). Suas palavras atingiram fortemente os (lembre-se: pseudônimos…) demais supostos economistas na sala: Claudio, Erik e Francisco.

A partir daquele momento, um complexo e maligno plano começou a ser arquitetado pelas mentes destes três criminosos. O crime, como tudo no país, envolveria não apenas os três, mas também membros do poder público (pomposo, não?). Por meio de trocas de mensagens e sinalização corporal, os diabólicos economistas preparam a arapuca.

O leitor vai me perdoar, mas a segunda parte do relato ocorre após algumas horas, motivo pelo qual vamos às 21:16 do mesmo dia. Supostamente, haveria uma confraternização com mais economistas em torno de uma defesa de tese, mas o núcleo criminoso logo dissuadiu o recém-doutor de envolver mais pessoas na festa e enviaram-no para longe com uma inexplicável justificativa. A bem da verdade, a apuração dos fatos indica que outro personagem, o (pseudônimo, lembra?) suposto Lauro, iria receber, ele mesmo, os tais números seriais, posteriormente.

O que ocorre a seguir, meu caro leitor, só pode ter sido concebido por mentes para lá de diabólicas. Lucas foi convidado para um boteco no qual estavam os suspeitos Francisco, Claudio e Erik. Supostamente, haveria uma sequência de cervejas e tira-gostos. Como não conseguiram cooptar os garçons, não conseguiram inocular doses de anestésicos e outras substâncias na coxinha de camarão, na carne de sol, ou mesmo nas batatas fritas.

Foi assim que um dos suspeitos resolveu puxar conversa com Lucas sobre cadeias de Markov (golpe clássico, como sabemos nós, estudantes de economia, utilizado para a obtenção de programas econométricos de forma ilegal) enquanto os outros dois colocavam substâncias de efeito relaxante em sua cerveja. Em seguida, como combinado, Erik (acompanhado de sua esposa, cujo pseudônimo é Luciana, e que havia chegado no meio da festa, para não levantar suspeitas) disse que tinha que ir embora. Sexta-feira, 22:00 e o povo vai para casa dormir? Só poderia ser um golpe (com alfa de 0.05, ok?).

Como esperado (com média zero e variância sigma ao quadrado), todos resolveram ir embora. Como apenas Erik e Lucas tinham automóveis, combinou-se que Lucas levaria Francisco e Claudio para o hotel (suspeito de ser o centro de distribuição de números seriais de pacotes econométricos, segundo fontes anônimas da polícia). Durante o caminho, várias barreiras nas ruas, previamente combinadas com os elementos da polícia, alongavam o tempo do percurso da volta, o que poderia ajudar na obtenção dos famigerados números.

A despeito das substâncias despejadas na cerveja, Lucas conseguiu dirigir de maneira sóbria e as barreiras policiais não foram suficientes para que Francisco e Claudio conseguissem arrancar dele os números. Parece que um dos policiais, que faria uma parada para inspecionar o carro com a desculpa de investigar um suposto tráfico de bases de dados de gêmeos monozigóticos desistiu de participar do esquema.

Assim, por volta das 23:19, encerrava-se, como um fracasso total, a operação que visava disseminar o uso de dois pacotes computacionais de suma importância nos mestrados e doutorados da América Latina. Ainda bem.